1. Introdução

2. O conceito de identidade e a "Crise Normativa" da Média Meninice

3. A criança em desenvolvimento: bases para a aprendizagem com o auxílio de recursos tecnológicos

4. A Importância da Interação Social

5. A Interação entre a Criança e o Computador: Impacto sobre a Construção da Identidade

6. Referências

4. A Importância da Interação Social

Embora já tenhamos referido brevemente o caráter essencialmente dinâmico da interação na visão construtivista da aprendizagem, vamos deter-nos um pouco mais sobre ela.

O conceito de interação social é um dos focos da obra de Vygotsky, que enfatiza a dialética entre o indivíduo e a sociedade, o intenso efeito da interação social, da linguagem e da cultura sobre o processo de aprendizagem. Este processo é fundamental para a interiorização do conhecimento – ou transformação do conceitos espontâneos em científicos – através do processo de tornar intrapsíquico o que antes era inter-psíquico.

Vygotsky empresta valor especial à interação, quando enuncia quase todos os seus conceitos. Frawley [4], ao apresentar a concepção do teórico sobre a aquisição de pensamento superior pela criança, afirma:

A criança nasce em um mundo preestruturado. A influência do grupo sobre a criança começa muito antes do nascimento, tanto nas circunstância implícitas, históricas e socioculturais herdadas pelos indivíduos como nos preparos explícitos, físicos e sociais mais óbvios que os grupos fazem antecipando o indivíduo. Tudo isso exerce sua força até mesmo em tarefas cotidianas simples que requerem o gerenciamento e o emprego da ação individual. (p. 91).

A interação também subjaz à construção de ambientes colaborativos de aprendizagem, como acontece na Educação a Distância, reforçando a idéia de que o conhecimento se constrói de forma compartilhada, e de que isto tem forte efeito motivador para as crianças.

É possível perceber que as tecnologias de informação e comunicação, assim como a Educação a Distância propiciam, de forma progressiva, todas as formas de interação (desde a síncrona, quando o grupo interage ao mesmo tempo e no mesmo lugar, e a forma semi-presencial permite a interação in loco, até a modalidade assíncrona distribuída – em que a interação ocorre em diferentes tempos e lugares – como nos chats), permitindo sempre o encontro educacional pleno.

Outra virtude da ênfase no conceito de interação foi a derrubada do “mito” da interiorização na Psicologia, herança legada pelo subjetivismo a esta ciência. Os estudos sobre o “ser psicológico” migraram progressivamente para abordagens do “ser social”. Este fato soma-se ao que foi dito sobre o conceito historicista de identidade.

Atividades inicialmente consideradas como componentes do mundo interior do homem passam, desse modo, a ter caráter social e cultural, lembrando o que Vygotsky afirmava sobre os processos intrapsíquicos serem antes, obrigatoriamente, inter-psíquicos, ou seja, adquiridos através da interação social.

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